Direitos Humanos

DECRETO No– 7.225, DE 1o– DE JULHO DE 2010

Promulga o Protocolo de Assunção sobre

Compromisso com a Promoção e a Proteção

dos Direitos Humanos do Mercosul, assinado

em Assunção, em 20 de junho de 2005.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição

que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e

Considerando que o Congresso Nacional aprovou, por meio

do Decreto Legislativo no 592, de 27 de agosto de 2009, o Protocolo

de Assunção sobre Compromisso com a Promoção e a Proteção dos

Direitos Humanos do Mercosul, assinado em Assunção, em 20 de

junho de 2005;

Considerando que o Governo brasileiro depositou o instrumento

de ratificação do referido Protocolo junto ao Governo do

Paraguai, depositário do referido ato, em 4 de março de 2010;

Considerando que o Acordo entrou em vigor para o Brasil,

no plano jurídico externo, em 3 de abril de 2010,

D E C R E T A :

Art. 1o O Protocolo de Assunção sobre Compromisso com a

Promoção e a Proteção dos Direitos Humanos do Mercosul, apenso

por cópia ao presente Decreto, será executado e cumprido tão inteiramente

como nele se contém.

Art. 2o São sujeitos à aprovação do Congresso Nacional

quaisquer atos que possam resultar em revisão do referido Acordo,

bem como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do

inciso I do art. 49 da Constituição, acarretem encargos ou compromissos

gravosos ao patrimônio nacional.

Art. 3o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 1º de julho de 2010; 189º da Independência e 122º

da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Antonio de Aguiar Patriota

MERCOSUL/CMC/DEC. N° 17/05

PROTOCOLO DE ASSUNÇÃO SOBRE COMPROMISSO

COM A PROMOÇÃO E PROTEÇÃO DOS DIREITOS

HUMANOS DO MERCOSUL

TENDO EM VISTA: O Tratado de Assunção, o Protocolo de

Ouro Preto e as Decisões N° 40/04 do Conselho do Mercado Comum.

CONSIDERANDO:

Que é fundamental assegurar a proteção, promoção e garantia

dos Direitos Humanos e as liberdades fundamentais de todos as

pessoas.

Que o gozo efetivo dos direitos fundamentais é condição

indispensável para a consolidação do processo de integração.

O CONSELHO DO MERCADO COMUM

DECIDE:

Art. 1 – Aprovar a assinatura do Protocolo de Assunção sobre

Compromisso com a Promoção e Proteção dos Direitos Humanos do

MERCOSUL, que consta como Anexo da presente Decisão.

Art. 2 – Esta Decisão não necessita ser incorporada ao ordenamento

jurídico dos Estados Partes, por regulamentar aspectos da

organização ou do funcionamento do MERCOSUL.

XXVIII CMC – Assunção, 19/VI/05

PROTOCOLO DE ASSUNÇÃO SOBRE COMPROMISSO

COM A PROMOÇÃO E PROTEÇÃO DOS DIREITOS

HUMANOS DO MERCOSUL

A República Argentina, a República Federativa do Brasil, a

República do Paraguai e a República Oriental do Uruguai, Estados

Partes do MERCOSUL, doravante as Partes,

REAFIRMANDO os princípios e objetivos do Tratado de

Assunção e do Protocolo de Ouro Preto;

TENDO PRESENTE a Decisão CMC Nº 40/04 que cria a Reunião

de Altas Autoridades sobre Direitos Humanos do MERCOSUL;

REITERANDO o expressado na Declaração Presidencial de

Las Leñas de 27 de junho de 1992 no sentido de que a plena vigência

das instituições democráticas é condição indispensável para a existência

e o desenvolvimento do MERCOSUL;

REAFIRMANDO o expressado na Declaração Presidencial

sobre Compromisso Democrático no MERCOSUL;

RATIFICANDO a plena vigência do Protocolo de Ushuaia

sobre Compromisso Democrático no MERCOSUL a República da

Bolívia e a República do Chile;

REAFIRMANDO os princípios e normas contidos na Declaração

Americana de Direitos e deveres do Homem, na Convenção

Americana sobre Direitos Humanos e outros instrumentos regionais de

direitos humanos, assim como na Carta Democrática Interamericana;

RESSALTANDO o expressado na Declaração e no Programa

de Ação da Conferência Mundial de Direitos Humanos de

1993, que a democracia, o desenvolvimento e o respeito aos direitos

humanos e liberdades fundamentais são conceitos interdependentes

que se reforçam mutuamente;

SUBLINHANDO o expressado em distintas resoluções da

Assembléia Geral e da Comissão de Direitos Humanos das Nações

Unidas, que o respeito aos direitos humanos e das liberdades fundamentais

são elementos essenciais da democracia;

RECONHECENDO a universalidade, a indivisibilidade, a

interdependência e inter-relação de todos os direitos humanos, sejam

direitos econômicos, sociais, culturais, civis ou políticos;

REITERANDO a Declaração Presidencial de Porto Iguaçu

de 8 de julho de 2004 na qual os Presidentes dos Estados Partes do

MERCOSUL destacaram a alta prioridade atribuída à proteção, promoção

e garantia dos direitos humanos e as liberdades fundamentais

de todas as pessoas que habitam o MERCOSUL;

REAFIRMANDO que a vigência da ordem democrática

constitui uma garantia indispensável para o exercício efetivo dos

direitos humanos e liberdades fundamentais, e que toda ruptura ou

ameaça ao normal desenvolvimento do processo democrático em uma

das Partes põe em risco o gozo efetivo dos direitos humanos;

ACORDAM O SEGUINTE:

ARTIGO 1

A plena vigência das instituições democráticas e o respeito dos

direitos humanos e das liberdades fundamentais são condições essenciais

para a vigência e evolução do processo de integração entre as Partes.

ARTIGO 2

As Partes cooperarão mutuamente para a promoção e proteção

efetiva dos direitos humanos e liberdades fundamentais através

dos mecanismos institucionais estabelecidos no MERCOSUL.

ARTIGO 3

O presente Protocolo se aplicará em caso de que se registrem

graves e sistemáticas violações dos direitos humanos e liberdades

fundamentais em uma das Partes em situações de crise institucional

ou durante a vigência de estados de exceção previstos nos ordenamentos

constitucionais respectivos. A tal efeito, as demais Partes

promoverão as consultas pertinentes entre si e com a Parte afetada.

ARTIGO 4

Quando as consultas mencionadas no artigo anterior resultarem

ineficazes, as demais Partes considerarão a natureza e o alcance das

medidas a aplicar, tendo em vista a gravidade da situação existente.

Tais medidas abarcarão desde a suspensão do direito a participar

deste processo de integração até a suspensão dos direitos e

obrigações emergentes do mesmo.

ARTIGO 5

As medidas previstas no artigo 4 serão adotadas por consenso

pelas Partes e comunicadas à Parte afetada, a qual não participará no

processo decisório pertinente. Essas medidas entrarão em vigência na

data em que se realize a comunicação respectiva à Parte afetada.

ARTIGO 6

As medidas a que se refere o artigo 4 aplicadas à Parte

afetada, cessarão a partir da data da comunicação a dita Parte de que

as causas que as motivaram foram sanadas. Tal comunicação será

transmitida pelas Partes que adotaram tais medidas.

ARTIGO 7

O presente Protocolo se encontra aberto à adesão dos Estados

Associados ao MERCOSUL.

ARTIGO 8

O presente Protocolo entrará em vigor trinta (30) dias depois

do depósito do instrumento de ratificação pelo quarto Estado Parte do

MERCOSUL.

ARTIGO 9

A República do Paraguai será depositária do presente Protocolo

e dos respectivos instrumentos de ratificação, devendo notificar

às Partes a data dos depósitos desses instrumentos e da entrada

em vigor do Protocolo, assim como enviar-lhes cópia devidamente

autenticada do mesmo.

FEITO na cidade de Assunção, República do Paraguai, aos

dezenove dias do mês de junho de dois mil e cinco, em um original,

nos idiomas espanhol e português, sendo ambos os textos igualmente

autênticos.

_____________________________

RAFAEL BIELSA

Pela República Argentina

________________________________

CELSO LUIZ NUNES AMORIM

Pela República Federativa do Brasil

_____________________________

LEILA RACHID

Pela República do Paraguai

________________________________

REINALDO GARGANO

Pela República Oriental do Uruguai

DOU 02.07.10

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